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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Papo de Pescador - Hoje agente FIFA, Robert vê Santos como único time capaz de superar o Barça

Ao lado de Robinho e Diego, Robert foi fundamental no título brasileiro de 2002 e tirou o Santos de uma fila de 18 anos sem conquistas nacionais. O ex-meia poderia orgulhar-se também de ter realizado este feito sete anos mais cedo, em 1995, não fosse a infeliz arbitragem de Márcio Resende de Freitas, que prejudicou o Santos na grande final contra o Botafogo. “Tenho uma ligação muito forte com o Santos, e naquele ano realmente merecíamos o título”, lembra o ex-meia-esquerda em entrevista exclusiva ao Papo da Vila.

Campeão do Rio-SP 97 e do Brasileirão 2002, foi no Santos que Robert viveu sua melhor fase na carreira,
chegando à seleção em 1996 e 2001 - Arte: Papo da Vila
A péssima atuação do árbitro não atrapalhou a trajetória de Robert no Peixe. Muito pelo contrário, em duas passagens pelo time – de 1995 a 1997 e 2002 a 2005 – fez 225 jogos, marcou 46 gols e além do título de 2002, venceu o já extinto Rio-São Paulo em 1997. Caminhada esta, que lhe rendeu o status de ídolo da equipe, comprovada pelo site oficial do Santos, onde Robert é um dos 61 atletas listados.

Junto com ele estão grandes nomes da história do futebol mundial como Pelé, Pepe, Zito, Coutinho, Serginho Chulapa, Giovanni e Robinho. Estes dois últimos, parceiros de Robert e principais nomes das campanhas de 95 e 2002, respectivamente. “São três craques fora de série. Sorte do Santos”, lembra o ex-jogador, quando perguntado se Neymar é mais completo que seus antigos companheiros.

Do vice-campeonato de 95, Robert relembra que ainda mantém contato com Giovanni, Macedo, Carlinhos, Edinho, Gallo e Marcos Paulo. “Me sinto honrado em ter participado daquela campanha. Éramos um time muito maduro e coeso, diferente do time de 2002, rápido, habilidoso e decisivo."

Reserva naquele ano, Robert substituiu Diego, contundido, logo nos primeiros minutos da grande final e um susto fez com que o meia lembrasse de outra decisão contra o Corinthians. “Quando eles fizeram o segundo gol pintou um receio em relação à semifinal do Paulista de 2001, contra o próprio Corinthians, quando o Ricardinho fez o gol nos últimos segundos. Mas, dessa vez conseguimos vencer e faturamos o título”, conta o ex-jogador que daquela campanha, conserva amizade com Léo, Robinho, Renatinho, Elano, Fabio Costa e Willian.

10 amarelinha

Foi defendendo o Santos que Robert teve seus melhores momentos na carreira. Pequenino e com características peculiares, o meia carregava a bola com rara habilidade, características que o fizeram chegar a Seleção Brasileira, em 1996 e 2001, quando disputou a Copa das Confederações. Naquele ano, o time não foi bem, acabou na quarta posição e o então técnico Leão acabou demitido. “Estava vivendo uma das melhores fases da minha carreira e com a saída dele não tive mais chances”.

Homem de confiança de Leão, Robert vestiu a camisa 10 da seleção, camisa que no atual momento está sem um dono definitivo. “Acho que tanto o Ganso como Ronaldinho tem condições de vestí-la e também atuarem juntos na seleção”.

Agente FIFA prioriza o Santos

Dodozinho já tem o cabelo
de Neymar. E o futebol?
A análise é feita por quem conhece. Além da experiência dentro dos campos quando além do Santos, defendeu Olaria, América-RJ, Guarani, Grêmio, Atlético-MG, São Caetano, Corinthians, Bahia e Consadole Sapporo (JAP), Robert hoje é agente FIFA. “Represento atletas e participo de negociações envolvendo clubes e jogadores de futebol”, explica, lembrando que quando surge um talento a preferência sempre é o Santos.

Prova disso é que Robert foi o responsável pela chegada do mais novo talento a ser lapidado pelo time da Vila Belmiro: Dodozinho. Candidato a craque, o garoto de 10 anos foi descoberto pelo ex-jogador durante uma partida de Showbol no Rio de Janeiro. Robert viu potencial e hoje o menino integra a categoria sub-11 do Peixe.

Robert e seu filho Patrick, campeão
paulista sub-13 de 2010
No entanto, o jogador que arranca sorrisos e é a maior aposta de Robert está no sub-15. Perguntado quem no futebol teria um estilo parecido com o seu, o ídolo santista não hesitou ao responder: “Meu filho Patrick”, cravou, com um breve sorriso de pai orgulhoso. “Ele está no infantil do Santos e com um ano já foi campeão paulista e do Mundialito sub-15. Tem muito potencial.”

Patrick venceu o Mundialito sub-15, mas o título tão esperado pela torcida santista é outro. Em dezembro, o Santos disputa o Mundial Interclubes e se depender de Robert, Neymar e Ganso podem fazer bonito e levar o Peixe ao tão sonhado tri-mundial. “Acho que o Santos hoje é o único time que pode fazer frente ao time do Barcelona”. Certamente, Márcio Resende de Freitas e nem Ricardinho estarão lá para atrapalhar o sonho santista.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Papo de Pescador - "Fase boa ou ruim, sou santista em todos os momentos"

Cássio e suas filhas
No meio das 11.555 pessoas que estiveram no Pacaembu para ver o Santos jogar contra o Ceará, na partida que aconteceu em 7 de agosto,  estava Edecassio Mendes, mais conhecido como Cássio, um santista de 34 anos que acompanha os jogos em campo sempre que possível. Embaixo de um sol de 29°C, acompanhado das filhas o torcedor agradece a família a tradição de ser santista e se orgulha de fazer parte da torcida do Peixe.

O time alvinegro não esta enfrentando uma boa fase no Campeonato Brasileiro, está em 15° na tabela de classificação, e não fez grandes partidas nos últimos jogos que disputou. Apesar disto, Cássio vai aos estádios sempre que pode para dar força ao time. Na opinião do torcedor o problema é que o técnico Muricy, às vezes, faz algumas mudanças que não favorecem o time.

“Ele faz umas mexidas que eu acho que não tem nada a ver e acaba estragando o time”, conta.

Um das reclamações de Cássio é a contratação de Ibson, um jogador que, segundo ele, não está a altura de um time como o Santos.

O Peixe acertou a rescisão do jogador com Spartak Moscou (RUS) por 4 milhões de euros. O volante chegou ao Santos em julho deste ano e veio como promessa para o meio-de-campo.

“Não gosto do Ibson, acho que ele não vai dar certo no Santos. Não sou fã do futebol dele e não achei bacana essa escolha do Muricy”, desabafa.

O técnico assumiu o time da Vila em abril de 2011 e ganhou a confiança dos torcedores com a conquista da Taça Libertadores, porém, desde então o  rendimento do time caiu. Mas quando o assunto é a conquista continental, Cássio esquece toda a má fase e lembra o quanto foi emocionante estar no estádio e ver o time alvinegro conquistar o título.

“Eu tava ali no tobogã e aquilo ali é pra nunca mais esquecer. Esperei 34 anos por isso, foi muita emoção, muito bom, não tem emoção igual, tirando o nascimento das minhas meninas, não tem nada igual”, conta.

Cássio diz se orgulhar de poder ter visto jogadores como Neymar e Ganso em campo e acrescenta mais três jogadores que em sua opinião foram os melhores que ele viu jogando nestes 34 anos de vida. Elano, Léo e Giovanni fecham a lista de seus preferidos.

E se depender do pai, as filhas gêmeas, também santistas, terão uma lista desta daqui alguns anos. Ao ser questionado se as meninas foram obrigadas a torcer pelo time da Vila, o pai logo responde que não, elas que fizeram a escolha.

“Não forcei nada. Elas vêem o pai indo sempre ao estádio, falando sempre do Santos e talvez isso tenha influenciado um pouco, mas elas já sabem o que é bom”, diz sorrindo.

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domingo, 14 de agosto de 2011

Papo de Pescador - Santista, ele contrariou o pai, mas convenceu o filho

Beto e seu filho Caio
Paixão santista passada de pai para filho
Em homenagem ao dia dos pais, o Papo de Pescador conta hoje a história de Roberto Oliveira Souza, o Beto.

Apesar de pertencer a uma família de pai, mãe e irmãos torcedores do Corinthians, ele é santista desde pequeno. Seu pai, o único corintiano entre 12 irmãos são paulinos, não teve argumentos para influenciar a decisão do filho. “Até porque na época em que eu era criança o Corinthians amargurava um jejum de 20 anos sem título e tinha até o apelido de faz me rir”, lembra Beto, que nasceu em 1973. Já o Santos, no mesmo período, vivia dias de glória na era pós Pelé e com a primeira geração dos “Meninos da Vila”. Foi assim que o Peixe ganhou mais um torcedor.

Quem acompanha os craques da Vila de hoje, como Ganso e Neymar, pode saber um pouco do que Beto sentia ao ver em campo Giovanni, Guga e Serginho Chulapa. A paixão pelo Santos era tanta, que nada o impedia de assistir aos jogos, nem mesmo o trabalho. “Inventei uma doença e faltei três dias para ver Santos e Grêmio, em Porto Alegre, no Brasileirão de 1995. Usei a mesma desculpa e atestado falso para ver Santos e Cruzeiro no Mineirão”, lembra ele.

Anos depois, a paixão pelo Santos continua a mesma, mas a responsabilidade fala mais alto. Nos finais de semana em que não trabalha, Beto prefere a segurança e o conforto de ver os jogos do Santos esparramado no sofá de casa. “Depois que meus filhos nasceram mudei minhas prioridades, mas não deixo de ver os jogos do Peixe. Às vezes levo meu filho ao estádio, mas quando não dá, é pela televisão mesmo”.

Filho de peixe

Caio em dois momentos:
Com o "polêmico" uniforme do Corinthians (esq.)
e com seu ídolo Robinho (dir.)

E o filho de Beto quase seguiu o mesmo caminho contraditório do pai e do avô na hora de escolher o time. Caio de Souza, hoje com 13 anos, saiu da maternidade, vestido pela mãe, com um macacão do Corinthians. Beto jura que não se preocupou com a provocação da mulher corintiana e faz piada da situação. “Ela gastou dinheiro à toa comprando roupinhas do Corinthians, eu sempre soube que quando meu filho crescesse seria santista. E realmente, quando ele começou a se interessar por futebol, trocou o Timão pelo Peixe. Ele me via vibrar com o Santos e sair de casa pra ir ao estádio, aí não teve jeito”, conta Beto.

E se os ídolos de Beto são Pelé e Pepe, os de Caio são Robinho e Neymar, que ele adora ver jogar. “Comecei a levá-lo ao estádio com 7 anos e a princípio só na Vila, que é mais tranqüila e só tem santista”, conta o pai. E até hoje, mesmo com o Santos atuando várias vezes em São Paulo, Beto e Caio preferem ver o Peixe jogando em casa. “Moro em São Paulo e ver meu time jogar no Pacaembu, por exemplo, é mais fácil pra mim, mas o lugar do Santos é na Vila. Não importa quantos torcedores caibam no estádio e nem se o clube tem mais lucro ou não”, alfineta ele.

Beto, assim como muitos torcedores do Peixe, não está satisfeito com os craques do Santos desfalcando o time, durante o Brasileirão, para servir à seleção. “Até a Copa de 94 eu torcia mais para o Brasil. Hoje prefiro ver o Santos campeão paulista ao invés do Brasil campeão mundial”. Já a posição do time, perto da zona de rebaixamento na tabela da competição, não preocupa Beto. “Acho que é um relaxamento natural após o título na Libertadores. Se o Santos jogar metade do que sabe, ainda dá tempo de ficar entre os melhores colocados do Brasileirão. Ganhar o campeonato já é mais difícil, mas o que eu quero mesmo, neste ano, é ser campeão mundial”.

Feliz dia dos pais!

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Papo de Pescador - Camisa 15 sem holofotes, por favor

Foto: Fernando Borges - Terra
Arte: Bruno Eizo
É domingo em Santos. O sol já vai se pondo no horizonte e a orla da praia já não recebe os turistas e moradores que, a essa hora, já se recolheram pensando em mais uma jornada de trabalho que está por vir. Apesar de estar somente começando, a semana é de festa para a cidade, uma vez que na quarta-feira o Santos Futebol Clube faz seu primeiro jogo na final da Taça Libertadores da América, podendo repetir um feito que apenas Pelé e companhia conseguiram com a camisa do time da Vila Belmiro.

Para muitos jovens, já em férias, a festa é ainda maior, principalmente na Praia do Gonzaga. Se seus pais estão em casa, eles formam uma quilométrica fila na porta de uma das baladas mais agitadas de Santos. O movimento é tanto que perto das 20 horas, o segurança determina: “Ninguém mais entra”.

Em meio à multidão, despercebido, como quase sempre, está um dos personagens da final histórica que o Santos faria com o Peñarol daqui a três dias. Em uma época em que jogador de futebol virou popstar e adora aparecer, esse jovem, nascido em São Vicente – cidade vizinha de Santos – é exceção. Sua vestimenta já comprova essa tese. Nada de corte de cabelo ousado, correntes de ouro ou prata com aqueles gigantes pingentes, calça saruel e camisa grudada no corpo. Pelo contrário, com um boné ele parece se esconder para não ser reconhecido. Com 1,71m até que a tarefa não é das mais difíceis.

Ele só se faz reconhecer quando usa seu “prestígio” para atender um dos funcionários da casa, furar fila e com a ajuda do segurança entrar na casa noturna. Facilidade esta que não encontrou até se firmar como um dos titulares do Peixe.

Revelado em 2006, o jogador não guarda boas recordações de sua estréia. Entrou no decorrer do jogo, no lugar de Rodrigo Tabata, e foi expulso após 18 minutos em campo na vitória do Peixe sobre o Paraná por 2 a 0. Mas deu a volta por cima e foi elogiado em algumas partidas, principalmente em uma contra o Palmeiras, quando anulou Valdívia, na época em grande fase. No ano seguinte, chegou as quartas-de- final em sua primeira Libertadores, mas uma lesão no joelho esquerdo fez com que o volante não fosse aproveitado em 2009. Foi emprestado ao São Caetano e logo em sua chegada projetou. “Fico aqui por um ano e retorno ao Santos”.

Mas seria difícil cogitar um retorno tão vitorioso. Quando voltou, via a sua frente Roberto Brum, Rodriguinho e Arouca, preferidos por Dorival Júnior, que logo foi demitido após queda de braço com Neymar. “Recomecei jogando no time de aspirantes até que recebi uma oportunidade do Marcelo Martelotte (técnico interino) durante o Campeonato Brasileiro. Fiz um bom jogo contra o Atlético Mineiro e passei a ser relacionado até o final da temporada".

De mansinho, correndo pela beiradas e como quem não quer nada cabem perfeitamente em qualquer descrição a ser feita do dono da camisa 15 do Peixe na Libertadores, de 2011: Adriano. Apesar da numeração não ser a tradicional para um jogador titular, o volante é um dos quatro jogadores que disputaram todas as partidas do Santos na competição que culminou com o tricampeonato da Libertadores.

Aos 24 anos e 118 partidas com a camisa alvinegra, o volante foge dos holofotes e comemora cada roubada de bola como se fosse um gol. O gol, inclusive, que ele nunca fez com a camisa do Santos, mas poderia ter feito caso mantivesse um antigo hábito: bater faltas. Em 2005, foram seis gols – três de falta e três em chutes de fora da área – com a camisa 10 do São Vicente, onde atuava mais avançado. Hoje, seu forte mesmo são os desarmes, prova disso é que o atleta terminou o Campeonato Paulista como o segundo maior ladrão de bolas, com 75 roubadas.

Assim como na balada, Adriano passa despercebido em campo. Seu jeito simples e sério combina com a raça demonstrada dentro das quatro linhas com carrinhos, marcações implacáveis, passes curtos e muita vontade.

Na balada, Adriano também foge dos holofotes
Arquivo pessoal
Na casa noturna, o volante era apenas mais um no meio dos jovens que divertiam ao som de muito Pagode, estilo musical preferido do jogador. Tão preferido, que desde a infância o jogador é chamado assim. “Esse apelido veio do meu avô. Eu era mirradinho e ele me chamava de Zeca Pagodinho. Aí ficou Pagode”, explica o jogador, lembrando que a preferência só é deixada de lado antes das partidas, por causa de uma superstição. “Eu gosto de ouvir sempre a mesma música que se chama O Preço, do Charlie Brown Jr.” Mas curtir a noitada não é preferência na programação de Adriano, que prefere ir ao cinema com a namorada ou ficar em casa com a família. “Eu prefiro ficar de boa”.

Que as coisas melhoraram para Adriano ninguém duvida, mas isso tudo será colocado a prova nos próximos meses. O Santos contratou dois reforços (Henrique e Ibson) para o meio de campo, que chegam para disputar posição com Adriano. “Vou continuar trabalhando forte como sempre fiz, e o professor vai escolher quem estiver melhor”.

Se Adriano mantiver a regularidade do primeiro semestre, com certeza irá tirar nota 10 com o ‘professor’ Muricy e garantirá uma vaga entre os 11 titulares santistas no Mundial Interclubes, em dezembro. Apesar de querer uma vaga no time principal, ele prefere continuar com a camisa 15, que depois da conquista da Libertadores se tornou um amuleto.

Com a camisa da sorte, Adriano não tem medo de errar e acredita que pode sonhar com vôos mais altos como diz a letra da música, que ouve antes dos jogos: Como era difícil acreditar; Que eu ia chegar onde estou; Que minha vida iria mudar, e mudou; Dificuldade então...Corri pra ver o mar; Fui atrás do que quis; Sabia só assim, podia ser feliz.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Papo de Pescador – Paixão Hereditária

Na família Coccareli torcer para o Santos é mais que tradição, é obrigação. Uma herança passada de pai para filho, desde o avô até o irmão caçula. Todos na família de Marcos Coccareli, 20 anos, são santistas.
O jovem não teve muita escolha, ainda muito pequeno já vestia a camiseta do clube. E se alguns anos atrás vestir a camisa preta e branca era imposição, hoje, faz isso por paixão.

Aos 10 anos, Marcos pisou pela primeira vez em um campo de futebol. Para os mais supersticiosos, o garoto levou sorte ao Peixe.  Em um amistoso realizado no Anacleto Campanella, no dia 28 de julho de 2001, Santos e São Caetano se enfrentaram e o time alvinegro levou a melhor, fez 1 a 0 em cima do adversário e saiu de campo com a vitória.

Marcos costumava acompanhar os jogos pela televisão, em casa. Mas na final do Brasileiro de 2002, ele estava lá, na arquibancada do Morumbi e viu o Peixe levantar a taça de campeão. 


 “Depois de ver o Santos levantar a taça, eu comecei a ir ao estádio. Toda vez que o Santos joga em São Paulo, eu estou lá”, conta.

Diferente de muitos torcedores que viram o Santos ficar na fila por anos, Marcos vem de uma geração privilegiada. Viu o time alvinegro ser campeão Brasileiro duas vezes (2002 e 2004), campeão Paulista quatro vezes (2006, 2007, 2010 e 2011), campeão da Copa do Brasil (2010) e, mais recentemente, presenciou o mais importante título dos últimos 48 anos, a Copa Libertadores.

Com o tri da Libertadores, o Peixe carimbou o passaporte para o Mundial de Clubes da Fifa, que acontecerá no Japão entre 8 e 18 de dezembro. Na opinião do jovem torcedor, as chances são grandes de voltar com o título para casa.

“Acho sim que o Neymar e o Ganso ficam no Santos até o fim do ano e acredito que esse time tem muitas chances de vencer o Mundial”, fala esperançoso.

Quando o assunto é o futebol das antigas, a chamada “Era Pelé”, Marcos conta que sabe apenas o que vê em vídeos e o que ouve de histórias que contam. Diz saber do time brilhante que o Santos tinha naquela época, mas que sente orgulho de fazer parte desta geração. Uma geração que poderá contar as próprias histórias e vivenciar as próprias emoções.

E se Marcos faz parte da nova geração, seu ídolo também. Diferente da maioria dos garotos que se espalham em Neymar, o jovem tem como inspiração o lateral esquerdo, Léo.

“Apesar de não ser um grande jogador e não fazer muitos gols eu o admiro pela sua raça, pelo que ele representa e pelo que passa para o time”, fala.

Marcos diz ter consciência de que Léo está longe de ser um grande craque, mas que o admira mesmo assim. A admiração é tanta que em qualquer lugar que joga bola, seja com o time da igreja, ou com os amigos na rua, faz questão de ficar com a camisa 3, número usado pelo lateral.

E apesar de toda a idolatria, revela que Léo não está na sua lista dos cinco melhores jogadores que, em sua opinião, já passaram pelo Santos. E depois de um longo suspiro, a lista é revelada.

“Para mim, os verdadeiros craques da Vila são Rodolfo Rodrigues, Pelé, Pepe, Robinho e Neymar”, finaliza com um sorriso tímido.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Papo de Pescador - Quando torcer faz parte do trabalho

Marcel Baleinha e Willer Baleião - Foto: Bruno Eizo
Misturados no meio da torcida santista, os jovens, Marcel Calixto (21) e Willer Gomes (18), agem como torcedores comuns. Lamentam lances perdidos, vaiam os adversários e vibram com os gols. Contudo, logo precisam sair das arquibancadas. Rapidamente eles seguem em direção ao vestiário. Assim que acabar o 1º tempo ambos devem adentrar o gramado para, agora vestidos de mascotes do Santos, entreterem os torcedores.

Trata-se de Baleinha e Baleião, desde 2006 mascotes oficiais do clube. Envoltos a uma grande fantasia inflável com quase 2 metros de altura e levando na cintura uma bateria de 6 kg, os dois tem como missão animar a torcida antes das partidas e durante os intervalos dos jogos do Peixe em casa.

Marcel é o mais experiente da dupla. Baleinha desde 2008 ele é o terceiro a assumir a função - “Comecei como freela, sem ganhar nada pelo trabalho. Trabalhei por 4 dias seguidos em uma campanha para a prefeitura de Santos debaixo de muito calor”, lembra. Hoje, além de ser mascote, Marcel também trabalha no departamento de Marketing do Santos.

Já Willer é desde setembro de 2010 o Baleião. Quarto na função, teve um começo parecido com o de Marcel - “Um dia ele (Marcel) me ligou dizendo que precisava de alguém para ser o Baleião. Aceitei e até hoje ele me chama”.

Torcedores privilegiados, acompanham de perto jogadores e comissão técnica - "Sempre que os mascotes aparecem no CT é uma festa. Jogador deve achar que fomos feitos para sermos derrubados" conta Marcel que lista Neymar, Léo e Pará como os mais bagunceiros.

Bagunça que não falta quando entram em campo. Acompanhados das baleites, Isabelle e Luciana, saúdam todos os torcedores com acenos e beijos. E a cada pênalti marcado por Baleinha no goleiro Baleião a torcida vibra - "Dá para medir a popularidade dos mascotes com a quantidade de elogios que recebemos" orgulha-se Willer.

Muito queridos pelas crianças Marcel conta que dá muitos autógrafos para elas, sendo que algumas nem esperam ele tirar o uniforme - “Uma vez eu ainda estava vestido de Baleinha e a criança pedia insistidamente um autógrafo. Eu falava que haviam outros jogadores por perto mas ela nem dava atenção".

E como qualquer torcedor, eles não poupam os adversários - "Já mostramos um grande cartão vermelho para a torcida do Corinthians" diverte-se Marcel. Mas nem sempre tudo sai como o planejado - "Estava na frente da torcida do Palmeiras e o uniforme murchou, tive que sair correndo" lamenta Willer. Contudo, para eles, a pior torcida não pertence a nenhum dos rivais - "A da Ponte Preta não poupa nem as meninas. E eles jogam de tudo na gente".

E nem mesmo o árbitro está livre das brincadeiras da dupla - “No jogo contra o Grêmio (2010, Copa do Brasil) mostrei o cartão para o árbitro e ele me expulsou de campo!” conta Marcel que garante não receber nenhum tipo de recomendação ou proibição por parte dos diretores - “Temos total liberdade de trabalho”.


Apesar do clima festivo que envolve a participação dos mascotes, Marcel lembra um episódio em que não gostou da brincadeira - “No dia do lançamento dos bonecos do Neymar e Ganso, o repórter do CQC (Oscar Filho) incentivou as crianças a bater em mim. E para piorar, ele enfiou a mão dentro do meu uniforme desligando o ventilador”.

Além do futebol, eles também acompanham o time de futsal e inauguram diversas escolinhas do Meninos da Vila - "Uma vez, cheguei em Ourinhos após 6 horas de viagem. Entrei em quadra para defender um pênalti do Chera (ex-jogador da base) e o chute dele acertou bem na bateria murchando o uniforme. Foram horas no carro para apenas 5 minutos na quadra" lembra Marcel.

Marcel já tem viagem programada para o final do ano. Acompanhará o time no Mundial do Japão. Irá a trabalho representando o marketing. Mas quem sabe ele não leva uma baleinha na mala - “Seria legal né?! Vou pensar na ideia”.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Papo de Pescador: A geração que não gritou "É Campeão!"

Havia um tempo em que ser santista não era fácil. Um tempo que não tinha Neymar, Ganso e Arouca. Não existiam Robinho, Elano e Diego e muito menos Coutinho, Pelé e Pepe. Os dribles incríveis, gols espetaculares e comemorações à base de danças não aconteciam com frequencia. Nesse tempo, ser santista era sinônimo de sofrer. E foi no meio de toda essa turbulência que o Peixe ganhou mais um torcedor, Fábio Seixas.

Fábio virou santista por influência do pai, normal naquela época. Em 1974, ano em que nasceu, o Santos tinha um time pouco atrativo. Segundo ele, o time era ruim e não tinha perspectiva nenhuma de ser campeão.

“Uma geração que era raro existir santista”, conta.

Era difícil ser o único da escola, do clube e da rua a torcer pelo Santos. O último Brasileirão que o Peixe conquistou antes de Fábio nascer tinha sido em 1968, foram 34 anos na fila. Ele só viu o time alvinegro ser campeão depois de 27 anos, em 2002. O Campeonato Paulista não foi muito diferente. O clube santista só voltou a ser campeão em 2006, depois de 22 anos sem conquistar o título.

Uma época que Fábio gosta de lembrar é a do Campeonato Brasileiro de 1995. O time da Vila não foi campeão, mas jogou como nunca.

“O Santos montou um time que não era sensacional, mas era um time que durante seis meses jogou como nenhum outro. Giovanni jogou com uma intensidade que não se via em outros jogadores”, lembra.

No dia 10 de dezembro de 95, Santos e Fluminense se enfrentaram no Pacaembu, pelo segundo jogo da semifinal do Brasileiro. O Peixe perdeu a primeira partida no Maracanã por 4 a 1, e Fábio conta que ninguém acreditava na recuperação do time. Todos estavam enganados. O Santos venceu o Flu por 5 a 2 e foi classificado.

“Eu chorava no Pacaembu, o Santos conseguiu o que todo mundo achava que era impossível”.

A final do campeonato foi contra o Botafogo. O jogo terminou em 1 a 1 e consagrou o Botafogo campeão. Para Fábio, o time carioca só foi campeão porque o juiz errou muito.


“O Santos perdeu o campeonato por causa do juiz. Meu pai disse que nunca mais ia pisar no campo de futebol. Foi triste porque foi ele que me fez gostar de esporte, do futebol, do Santos”.

Pode se dizer que o pai também foi responsável pela profissão que escolheu. Hoje, jornalista da Sucursal da Folha no Rio, confessa que só escolheu fazer jornalismo por causa do esporte.

E foi também o esporte que proporcionou uma de suas maiores felicidades. Em 22 de junho de 2011, com o Pacaembu forrado de santistas, o Peixe ganhou de 2 a 1 do Penãrol e se consagrou campeão da Libertadores.

“Tinha muita gente de idade, tinha um cara do lado que virou e falou: pra quem sofreu o que a gente sofreu não dá pra acreditar que a gente ta vendo isso”, conta com emoção.

Entre emoções, decepções, angústias e alegrias, o Santos teve um papel muito importante na vida de Fábio, ajudou-o a moldar a pessoa que se tornou.

“Hoje enfrento problemas e as diversidades da vida com mais facilidade”, finaliza.

Papo de Pescador

Todo torcedor tem uma boa história para contar. Todo torcedor já viveu grandes emoções.

Alegrias, tristezas, decepções... Aquele jogo, aquele gol, aquele jogador...

Há muitos momentos que cada um de nós carrega na lembrança em relação ao nosso time de coração. Momentos que gostaríamos de repetir, de esquecer ou apenas lembrar.

Aqui na seção “Papo de Pescador”, o torcedor santista tem a palavra.

Sempre que possível, iremos trazer uma nova história de um “pescador”. Então, se você quiser compartilhar algo em relação ao Santos que tenha marcado a sua vida, entre em contato conosco.

Mande sua história para o email blogpapodavila@gmail.com. Estamos esperando!!!